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Tríade Terrível do Cotovelo

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Tríade Terrível do Cotovelo

Lesão combinada de três estruturas do cotovelo — luxação posterior, fratura da cabeça do rádio e fratura do processo coronoide da ulna. Recebe o nome de “terrível” pela alta taxa de rigidez e instabilidade residual se não for tratada com técnica adequada.

Tríade terrível do cotovelo — luxação posterior + fratura da cabeça do rádio + fratura do coronoide
Radiografia da tríade terrível — luxação posterior do cotovelo associada a fratura da cabeça do rádio e do processo coronoide.

O que é

A tríade terrível do cotovelo é uma lesão descrita há décadas na ortopedia justamente pelo desafio de tratamento. São três componentes simultâneos:

  1. Luxação posterior do cotovelo — o rádio e a ulna deslocam-se para trás em relação ao úmero
  2. Fratura da cabeça do rádio — geralmente cominutiva
  3. Fratura do processo coronoide da ulna — o pequeno projetamento anterior da ulna que serve de “batente”

Todas as três estruturas contribuem para a estabilidade do cotovelo. Quando as três estão comprometidas, o cotovelo perde os principais elementos de contenção e se torna gravemente instável — daí a associação com má evolução se o tratamento não for bem feito.

Sintomas

Ocorre sempre após trauma agudo — queda com apoio da mão em cotovelo estendido.

  • Dor intensa no cotovelo
  • Deformidade evidente na luxação (o cotovelo fica “para trás”)
  • Impossibilidade de movimentar o cotovelo
  • Edema e hematoma importantes
  • Instabilidade do cotovelo mesmo após a redução — sensação de “sair do lugar”
  • Pode haver comprometimento neurovascular associado (nervo ulnar, artéria braquial)

Causas e fatores de risco

  • Queda com o braço estendido e mão apoiada
  • Trauma esportivo (queda de bicicleta, skate, esporte de contato)
  • Acidente de trânsito
  • Não há fator de risco pessoal significativo — costuma acontecer com pessoas saudáveis submetidas a trauma de alta energia

Diagnóstico

  • Radiografia — primeiro exame. Mostra a luxação e as duas fraturas
  • Tomografia com reconstrução 3D — obrigatória. Define exatamente o tamanho e o padrão de cada fratura e orienta a estratégia cirúrgica
  • Exame neurovascular no atendimento inicial — avaliar nervo ulnar e circulação distal
  • Avaliação da estabilidade após a redução, sob anestesia — determina quais estruturas precisam ser reconstruídas

Tratamento conservador

Não se aplica na maioria dos casos. A tríade terrível praticamente sempre exige tratamento cirúrgico — imobilizar sem reconstruir leva a instabilidade crônica, rigidez grave e artrose precoce. Redução fechada e imobilização são medidas de urgência antes da cirurgia definitiva.

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia é a regra e deve ser feita idealmente na primeira semana após o trauma. O protocolo segue uma sequência bem definida:

  1. Reconstrução ou substituição da cabeça do rádio — fixação por parafusos se possível, prótese se muito cominuída
  2. Reinserção ou fixação do processo coronoide
  3. Reparo do ligamento colateral lateral (quase sempre lesionado)
  4. Se ainda houver instabilidade — reparo do ligamento colateral medial ou uso de fixador externo articulado

O objetivo é estabilizar suficientemente para permitir mobilização precoce — porque o cotovelo enrijece muito rápido quando imobilizado por semanas.

Perguntas frequentes

Por que se chama “terrível”?

Recebeu esse nome pela histórica dificuldade de tratamento e pela alta taxa de sequelas — rigidez, instabilidade e artrose — quando não é tratada com técnica correta. Com o protocolo cirúrgico atual, os resultados melhoraram bastante.

Vou voltar a mexer o cotovelo normalmente?

A maioria dos pacientes recupera função útil, mas é comum sobrar alguma perda de amplitude — especialmente da extensão completa. Depende muito da precocidade da cirurgia e da fisioterapia.

Vou precisar retirar a prótese da cabeça do rádio no futuro?

Não. A prótese fica definitiva. Retiramos apenas se houver complicação (soltura, dor).

Preciso operar logo?

Sim. O melhor resultado vem quando a cirurgia é feita na primeira semana após o trauma, com o cotovelo ainda pouco rígido e com edema controlado. Cirurgia tardia é mais difícil tecnicamente e tem resultado pior.

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Este conteúdo é informativo e educativo. Não substitui a consulta médica. Somente um médico pode indicar o diagnóstico e o tratamento adequados para o seu caso. Dr. Rodrigo Beraldo · CRM-SP 155.154 · RQE 85.453.