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Fratura do Úmero Distal

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Fratura do Úmero Distal

Fratura da porção inferior do úmero, envolvendo os côndilos que se articulam com a ulna e o rádio. Padrão bimodal — em jovens após trauma de alta energia, em idosos após queda de baixa energia com osso osteoporótico. Tratamento cirúrgico na maioria dos casos, com foco em mobilização precoce para evitar rigidez.

Radiografia pré-operatória de fratura do úmero distal
Radiografia pré-operatória mostrando fratura intra-articular do úmero distal.

O que é

A fratura do úmero distal envolve a extremidade inferior do úmero — região da tróclea (que se articula com a ulna) e do capítulo (que se articula com a cabeça do rádio). É uma fratura de manejo desafiador porque compromete a articulação do cotovelo diretamente, tem risco alto de rigidez residual e exige reconstrução anatômica precisa quando cirúrgica. Costuma ser classificada em três padrões: extra-articular (mais alta, poupa a articulação), intra-articular simples (dividida em dois grandes fragmentos) e intra-articular complexa (cominutiva, com múltiplos fragmentos articulares).

Sintomas

  • Dor intensa no cotovelo após o trauma
  • Edema importante da região do cotovelo e braço distal
  • Deformidade visível em fraturas com desvio
  • Impossibilidade de movimentar o cotovelo
  • Hematoma que se espalha pelo braço e antebraço nas horas seguintes
  • Em fraturas expostas, ferimento com exposição óssea
  • Pode haver comprometimento do nervo ulnar (dormência no 4º e 5º dedos) ou de outros nervos periféricos

Causas e fatores de risco

  • Queda com apoio direto sobre o cotovelo — mecanismo mais comum em idosos
  • Trauma de alta energia (acidente de trânsito, queda de altura) — mais comum em jovens
  • Osteoporose — principal fator de risco em idosos, com fraturas por baixa energia
  • Trauma esportivo direto

Diagnóstico

  • Radiografia em duas incidências — primeiro exame, define a suspeita e o padrão geral
  • Tomografia com reconstrução 3D — essencial em fraturas intra-articulares. Mostra o número e a posição de cada fragmento e orienta a via de acesso cirúrgica
  • Avaliação neurológica do nervo ulnar, mediano e radial no atendimento inicial
  • Avaliação vascular clínica

Tratamento conservador

Reservado a fraturas sem desvio ou em pacientes com contraindicação cirúrgica de peso. Envolve imobilização gessada em cerca de 90° por 3 semanas seguida de fisioterapia. O risco de rigidez residual é alto, então evito imobilização prolongada sempre que possível.

Quando a cirurgia é indicada

Na maioria das fraturas do úmero distal com desvio a cirurgia é a regra. O objetivo é reconstruir a anatomia articular e dar estabilidade suficiente para permitir mobilização precoce — porque o cotovelo enrijece muito rápido quando imobilizado por muitas semanas. As opções cirúrgicas variam com o padrão da fratura e a idade do paciente: fixação com placas paralelas ou em 90° — padrão nas fraturas do adulto jovem e nas intra-articulares reconstruíveis; cuidado sistemático com o nervo ulnar — identificação e proteção durante o acesso; artroplastia total do cotovelo — considerada em pacientes idosos com fratura muito cominutiva e osso osteoporótico, quando a reconstrução com placas tem prognóstico ruim. A mobilização iniciada nas primeiras semanas com fisioterapia orientada é fundamental para evitar sequela.

Pós-operatório de fixação da fratura do úmero distal com placas
Pós-operatório da fixação da fratura do úmero distal com placas moldadas.

Perguntas frequentes

Vou recuperar o movimento completo do cotovelo?

A recuperação depende do padrão da fratura, da qualidade da fixação e do engajamento na fisioterapia. Alguma perda de amplitude — especialmente dos últimos graus de extensão — é comum e esperada em fraturas articulares do cotovelo.

Em idoso muito debilitado, vale a pena operar?

Depende do caso. Quando a fratura é cominutiva e o osso muito osteoporótico, a artroplastia total do cotovelo pode oferecer recuperação funcional mais rápida do que a tentativa de reconstrução com placas. Avalio junto com o paciente e a família a expectativa funcional realista.

Vou ter artrose no futuro?

Fraturas que envolvem a articulação aumentam o risco de artrose pós-traumática ao longo dos anos. O tratamento inicial adequado reduz esse risco, mas não elimina completamente.

Quanto tempo até voltar ao trabalho e às atividades?

Trabalho leve costuma ser possível entre 6-8 semanas. Trabalho pesado, esporte de impacto ou contato após 4-6 meses, individualizado caso a caso.

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Este conteúdo é informativo e educativo. Não substitui a consulta médica. Somente um médico pode indicar o diagnóstico e o tratamento adequados para o seu caso. Dr. Rodrigo Beraldo · CRM-SP 155.154 · RQE 85.453.