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Tendinopatia e Lesão do Manguito Rotador

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Tendinopatia e Lesão do Manguito Rotador

A síndrome do manguito rotador é a causa mais comum de dor no ombro em adultos. Reúne desde inflamação dos tendões (tendinopatia) até rupturas parciais e totais que podem exigir tratamento cirúrgico.

O que é

O manguito rotador é um grupo de quatro tendões (supraespinal, infraespinal, subescapular e redondo menor) que envolvem a articulação do ombro e são responsáveis por estabilizá-la e por movimentos como elevar e girar o braço.

A lesão pode ser degenerativa (mais comum a partir dos 40 anos, por desgaste progressivo do tendão) ou traumática (após queda, esforço súbito ou luxação).

Anatomia do manguito rotador com ruptura tendínea
Anatomia do manguito rotador com ruptura tendínea

Sintomas

  • Dor no ombro, principalmente à noite ou ao deitar sobre o lado afetado
  • Fraqueza para levantar o braço acima da cabeça
  • Dor irradiada para o meio do braço (não para o pescoço)
  • Estalos e “travamentos” ao movimentar
  • Perda progressiva da amplitude de movimento

Causas e fatores de risco

  • Envelhecimento e degeneração tendínea (fator mais frequente após 50 anos)
  • Movimentos repetitivos acima da cabeça (esportes de arremesso, natação, tênis, trabalho braçal)
  • Trauma agudo (queda, esforço súbito)
  • Tabagismo (piora a qualidade do tendão)
  • Diabetes e alterações metabólicas
  • Alterações anatômicas do acrômio (impacto subacromial)

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico — feito na consulta, com anamnese detalhada e testes físicos específicos (Jobe, Neer, Hawkins, teste da lata cheia, teste do gerber). Exames de imagem complementam:

  • Radiografia para descartar artrose e avaliar o formato do acrômio
  • Ultrassom para triagem em consultório (rápido, sem radiação)
  • Ressonância magnética é o exame de escolha para caracterizar tamanho e retração da lesão, além do estado da musculatura

Tratamento conservador

A maior parte das tendinopatias e lesões parciais responde bem sem cirurgia. O tratamento envolve:

  • Fisioterapia dirigida — reforço da musculatura escapular e do manguito, correção postural, alongamento capsular
  • Analgesia — anti-inflamatórios por período limitado, sob orientação médica
  • Infiltração — em casos selecionados, com corticoide ou ortobiológicos (PRP), quando bem indicada
  • Ajustes de atividade — evitar temporariamente movimentos que reproduzem a dor

A resposta é avaliada em 3 a 6 meses. A maioria dos pacientes evolui bem sem cirurgia.

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia é considerada quando:

  • Lesão de espessura total sintomática, especialmente em pacientes ativos
  • Falha do tratamento conservador bem conduzido por 3–6 meses
  • Lesão traumática aguda em paciente jovem ou de meia-idade
  • Perda de força importante e limitação funcional persistente

A técnica padrão é o reparo artroscópico — cirurgia minimamente invasiva, feita por pequenas incisões, com âncoras que fixam o tendão ao osso. Em lesões extensas e irreparáveis, existem opções como reconstrução da cápsula superior (tema da minha tese de mestrado), transferência tendinosa e artroplastia reversa.

Perguntas frequentes

Tenho lesão do manguito rotador — preciso operar?

Não necessariamente. A maioria das lesões parciais e boa parte das lesões completas em pacientes com baixa demanda funcional respondem bem ao tratamento conservador. A cirurgia entra quando há falha do conservador bem conduzido ou lesão traumática aguda em paciente ativo.

Quanto tempo demora para melhorar sem cirurgia?

A maior parte dos pacientes começa a sentir melhora nas primeiras 6 a 8 semanas de fisioterapia bem conduzida. A resposta completa é avaliada em 3 a 6 meses.

A cirurgia artroscópica é dolorosa? Vou precisar internar?

É uma cirurgia minimamente invasiva. Normalmente a internação é de 12 a 24 horas. A dor no pós-operatório imediato é controlada com bloqueio anestésico e medicação. A recuperação total leva de 4 a 6 meses.

Vou poder usar o braço logo depois da cirurgia?

Não. O ombro fica imobilizado em tipoia por 4 a 6 semanas, seguido de fisioterapia progressiva. Movimentos com carga voltam por volta do 3º ao 4º mês.

Fumo — isso influencia?

Sim, e bastante. O tabagismo reduz a taxa de cicatrização do tendão e piora os resultados cirúrgicos. Recomendo cessar antes da cirurgia sempre que possível.

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Este conteúdo é informativo e educativo. Não substitui a consulta médica. Somente um médico pode indicar o diagnóstico e o tratamento adequados para o seu caso. Dr. Rodrigo Beraldo · CRM-SP 155.154 · RQE 85.453.