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Artropatia do Manguito Rotador
Artrose do ombro que se instala após anos de lesão extensa do manguito rotador não tratada. A cabeça do úmero perde o suporte muscular e migra para cima, gerando dor, perda progressiva de força e limitação da elevação do braço.

O que é
A artropatia do manguito rotador (cuff arthropathy) é uma forma específica de artrose do ombro que se desenvolve quando o manguito rotador está roto de forma extensa e crônica. Sem os tendões estabilizando a cabeça do úmero contra a glenoide, ela desloca-se para cima e passa a se articular com o acrômio — o que gera desgaste da cartilagem, do próprio acrômio e da porção superior da glenoide. É diferente da artrose primária, porque aqui a origem é uma lesão tendínea antiga que evoluiu ao longo dos anos.
Sintomas
Costuma se manifestar em pacientes acima dos 65 anos, geralmente com histórico de dor no ombro há muitos anos.
- Perda progressiva da elevação ativa do braço — em casos avançados, o paciente não consegue levantar o ombro acima da linha do ombro sem ajuda
- Dor noturna e ao movimento
- Estalos e crepitações
- Elevação passiva geralmente ainda possível (o braço sobe se alguém levantar), mas ativa não
Causas e fatores de risco
- Lesão extensa e crônica do manguito rotador — principal causa
- Idade avançada (mais comum após os 65-70 anos)
- Histórico de dor no ombro por muitos anos sem tratamento definitivo
- Falha no tratamento cirúrgico prévio do manguito rotador (rerruptura irreparável)
Diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico e radiográfico.
- Radiografia — mostra a migração superior da cabeça do úmero (índice acromioumeral reduzido), erosão do acrômio e desgaste da glenoide
- Ressonância — confirma o padrão da lesão do manguito e o grau de atrofia gordurosa dos músculos
- Tomografia com reconstrução 3D — usada no planejamento cirúrgico quando prótese reversa é considerada
Tratamento conservador
Sempre começo pela abordagem conservadora, principalmente em pacientes com queixa recente ou com dor ainda controlável. Fisioterapia focada no fortalecimento do deltoide (que assume função de estabilizador quando o manguito não funciona), analgesia e infiltrações podem controlar sintomas por bastante tempo. Não há como reparar a lesão do manguito nesse estágio — o objetivo é conviver com a limitação.
Quando a cirurgia é indicada
Quando a dor deixa de responder ao tratamento conservador e a perda funcional interfere no dia a dia, considero a artroplastia reversa do ombro. É a única prótese que funciona nesse cenário, porque não depende do manguito rotador — a geometria invertida faz com que o deltoide passe a ser o motor principal do braço. Não é indicada a reconstrução do manguito, porque a lesão é antiga e irreparável.

Perguntas frequentes
A cirurgia recupera o movimento perdido?
A prótese reversa costuma devolver a capacidade de elevar o braço até uma altura funcional para atividades do dia a dia. O ganho depende da qualidade do deltoide e do grau de rigidez pré-operatória.
Posso fazer a cirurgia se já tenho outras doenças?
Cada caso é individualizado. Avalio a condição clínica geral, medicações em uso e o desejo funcional do paciente antes de indicar. Não há restrição por idade isolada.
Quanto tempo é a recuperação?
A recuperação inicial leva cerca de 3 meses com fisioterapia orientada. O ganho funcional pode continuar evoluindo por até 12 meses.
Por que não reconstruir o manguito rotador em vez de colocar prótese?
Nessa fase a lesão do manguito é grande, retraída e com atrofia muscular avançada — não é reparável. Tentar reconstruir tem resultado ruim e não resolve a artrose que já se instalou.
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Este conteúdo é informativo e educativo. Não substitui a consulta médica. Somente um médico pode indicar o diagnóstico e o tratamento adequados para o seu caso. Dr. Rodrigo Beraldo · CRM-SP 155.154 · RQE 85.453.
