Fraturas do Cotovelo
Fraturas do olécrano, cabeça do rádio, coronoide e as fraturas-luxação (como a “terrible triad”). Padrões complexos exigem planejamento pré-operatório detalhado e experiência técnica.
O que é
O cotovelo é uma articulação complexa entre 3 ossos (úmero, rádio e ulna), com ligamentos importantes de cada lado. Fraturas do cotovelo podem envolver:
- Cabeça do rádio — fratura muito frequente, geralmente após queda com mão espalmada
- Olécrano — ponta do cotovelo, atinge o mecanismo extensor
- Coronoide — importante estabilizador anterior
- “Terrible triad” — luxação posterior do cotovelo + fratura da cabeça do rádio + fratura da coronoide. Padrão complexo com alta taxa de instabilidade se não tratado bem
- Fraturas transulnares — envolvem base da coronoide
Sintomas
- Dor intensa no cotovelo
- Deformidade e hematoma
- Impossibilidade de movimentar
- Crepitação óssea
- Formigamento ou fraqueza da mão (avaliação neurológica é essencial)
Causas e fatores de risco
- Queda com braço estendido (mecanismo mais comum)
- Trauma direto no cotovelo
- Acidente de trânsito ou esportivo de alta energia
Diagnóstico
- Radiografia frente/perfil do cotovelo — primeira avaliação
- Tomografia com reconstrução 3D — fundamental para planejamento em fraturas complexas
- Avaliação neurovascular sempre
Tratamento conservador
Reservado para:
- Fraturas da cabeça do rádio sem desvio ou com desvio mínimo (Mason I)
- Fraturas de olécrano sem desvio
- Contra-indicação cirúrgica
Tratamento: imobilização por 1–2 semanas seguida de fisioterapia precoce para evitar rigidez.

Quando a cirurgia é indicada
Indicada em fraturas com desvio, fraturas-luxação, “terrible triad”, instabilidade associada. Publicamos recentemente estudo sobre o uso off-label da prótese monobloco de cabeça de rádio press-fit em fraturas complexas do cotovelo.
- Osteossíntese com placas e parafusos
- Prótese de cabeça de rádio em fraturas cominutivas irreconstruíveis
- Reparo/reinserção ligamentar em fraturas-luxação
- Fixadores externos em casos selecionados
Perguntas frequentes
A “terrible triad” tem esse nome por quê?
Porque é uma das fraturas-luxação mais desafiadoras do cotovelo, com alta taxa de rigidez e instabilidade residual se não tratada adequadamente. Hoje temos protocolos bem estabelecidos que melhoraram muito os resultados.
A prótese de cabeça de rádio é sempre necessária?
Não. Uso em fraturas cominutivas em que a reconstrução não é viável. Em fraturas com poucos fragmentos, priorizamos osteossíntese com parafusos ou placa.
Vou recuperar a extensão completa do cotovelo?
Perda de 10 a 20° de extensão é comum após fraturas do cotovelo, mesmo com tratamento adequado. Se estiver dentro do arco funcional, não compromete atividades diárias.
Preciso fazer fisioterapia?
Sim, e o quanto antes. Cotovelo tem tendência muito alta à rigidez. A mobilização precoce dirigida é fundamental.
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Este conteúdo é informativo e educativo. Não substitui a consulta médica. Somente um médico pode indicar o diagnóstico e o tratamento adequados para o seu caso. Dr. Rodrigo Beraldo · CRM-SP 155.154 · RQE 85.453.
