Lesão do Bíceps Distal
Ruptura do tendão do bíceps no cotovelo. Geralmente em homens de 40–60 anos após esforço súbito. Costuma ter indicação cirúrgica precoce em pacientes ativos.
O que é
O bíceps tem dois pontos de inserção no cotovelo (distal) — no rádio, principalmente. A ruptura do tendão distal do bíceps é bem menos comum que a ruptura da porção proximal (no ombro), mas tem repercussão funcional bem maior — perda de força para flexão do cotovelo e principalmente para supinação (girar a mão com a palma para cima).

Sintomas
- Estalo audível ou sensação de “arrebentar” no cotovelo durante esforço
- Dor aguda seguida de dor mais leve
- Hematoma no braço/cotovelo
- Deformidade — o “músculo” do braço migra para cima (sinal de Popeye reverso)
- Fraqueza persistente para dobrar o cotovelo e principalmente para girar a mão
Causas e fatores de risco
- Esforço súbito com o cotovelo em flexão (levantar objeto pesado, cair segurando um objeto)
- Homens de 40 a 60 anos (mais frequente)
- Uso de anabolizantes
- Tabagismo
- Degeneração prévia do tendão
Diagnóstico
- Diagnóstico é clínico na maioria dos casos — perda de contorno do bíceps distal, teste do hook positivo
- Ressonância magnética confirma o diagnóstico e mostra retração do tendão
- Ultrassom em casos duvidosos
Tratamento conservador
Aceitável apenas em pacientes idosos, com baixa demanda funcional ou com contraindicação cirúrgica. Envolve fisioterapia com foco em compensações. O paciente aceita perda de 30–40% da força de supinação.
Quando a cirurgia é indicada
Em pacientes ativos, a cirurgia é geralmente indicada e precoce (idealmente nas primeiras 2–3 semanas para evitar retração do tendão). Consiste em reinserção do tendão do bíceps no rádio, geralmente por técnica de dois portais (anterior + posterior) com botão cortical, âncoras ou parafusos de interferência.
Pós-operatório: tipoia, imobilização em flexão + supinação, fisioterapia progressiva, retorno a atividades leves em 3 meses, esportes em 4–6 meses.
Perguntas frequentes
Preciso operar rápido?
Idealmente sim — nas primeiras 2 a 3 semanas. Após esse tempo, o tendão retrai e a cirurgia fica tecnicamente mais difícil, muitas vezes exigindo enxerto.
Perco muita força se não operar?
Sim, principalmente para supinação (girar a mão) — perde-se cerca de 40% da força. Para flexão do cotovelo, cerca de 30%. Em pacientes ativos, isso incomoda no dia a dia.
Quais complicações posso ter?
A principal é lesão do nervo interósseo posterior no acesso volar (rara, transitória na maioria). Também rigidez, retorno tardio a esportes de força.
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Este conteúdo é informativo e educativo. Não substitui a consulta médica. Somente um médico pode indicar o diagnóstico e o tratamento adequados para o seu caso. Dr. Rodrigo Beraldo · CRM-SP 155.154 · RQE 85.453.
