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Epicondilite Lateral e Medial (Cotovelo de Tenista e de Golfista)

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Epicondilite Lateral e Medial (Cotovelo de Tenista e de Golfista)

Dor no cotovelo lateral (tenista) ou medial (golfista) é uma das causas mais frequentes de dor no membro superior. A grande maioria melhora sem cirurgia com o tratamento certo e paciência.

O que é

Epicondilite é uma tendinopatia degenerativa — não é um simples “inflamação”. Os tendões extensores do punho (na epicondilite lateral) ou flexores/pronadores (na medial) sofrem microlesões repetitivas e perdem a capacidade de cicatrizar bem, gerando dor persistente.

Apesar do nome, mais de 90% dos pacientes com epicondilite NÃO jogam tênis nem golfe — a doença é ligada a atividades repetitivas do dia a dia e do trabalho.

Epicondilite lateral (cotovelo de tenista)
Epicondilite lateral (cotovelo de tenista)

Sintomas

  • Lateral (tenista): dor no lado externo do cotovelo, piora ao apertar as mãos, segurar objetos, virar chave, torcer pano
  • Medial (golfista): dor no lado interno do cotovelo, piora ao flexionar o punho ou pronar o antebraço
  • Dor que irradia pelo antebraço, mas raramente para o ombro ou pescoço
  • Sensação de fraqueza para preensão
  • Dor pode ser matinal ou aparecer com atividade

Causas e fatores de risco

  • Sobrecarga repetitiva (trabalho manual, digitação prolongada, esportes de raquete, musculação com carga alta)
  • Técnica inadequada no esporte
  • Idade entre 30 e 55 anos (pico)
  • Fatores de risco: tabagismo, diabetes, obesidade
  • Fatores anatômicos e biomecânicos

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico. Testes provocativos específicos (Mill, Cozen para lateral; teste do flexor para medial) reproduzem a dor.

  • Ultrassom pode mostrar espessamento e alterações do tendão
  • Ressonância magnética — reservada para casos refratários ou quando há suspeita de outra causa

Tratamento conservador

Tratamento conservador funciona em mais de 90% dos casos, mas leva tempo (3 a 12 meses):

  • Modificação de atividade — o passo mais importante. Suspender temporariamente movimentos que reproduzem a dor.
  • Fisioterapia com foco em exercícios excêntricos — o principal fator de mudança na história do tendão
  • Órtese (“braçadeira” abaixo do cotovelo) durante atividades
  • Analgesia sob orientação por curto período
  • Infiltração com corticoide alivia rápido mas piora prognóstico a longo prazo — indicação restrita. Ortobiológicos (PRP) são opção emergente

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia é considerada quando há falha de 6 a 12 meses de tratamento conservador bem feito. As opções são:

  • Desbridamento aberto do tendão degenerado
  • Desbridamento e reparo artroscópico

A recuperação leva 3 a 4 meses. É rara a necessidade de cirurgia.

Perguntas frequentes

Faz quanto tempo tenho epicondilite. Por que ainda não melhorou?

Epicondilite é uma tendinopatia degenerativa e leva tempo — não é uma “inflamação” que passa com 3 dias de anti-inflamatório. O que mais funciona é modificação de atividade + exercícios excêntricos dirigidos, e a resposta acontece ao longo de 3 a 6 meses, às vezes mais.

Posso fazer infiltração de corticoide?

Pode, mas com critério. A infiltração de corticoide alivia rápido mas os estudos mostram que, a longo prazo (12 meses), os resultados são piores do que só com fisioterapia. Reservo para casos específicos e sempre alinhada com fisioterapia depois.

Posso continuar jogando tênis?

Enquanto tem dor forte, não. Depois, sim — mas com ajuste de técnica, empunhadura e frequência. Trabalhar a técnica com um bom instrutor faz muita diferença.

PRP funciona para epicondilite?

A evidência sugere resultado positivo em casos refratários ao tratamento inicial, mas ainda não é primeira linha. Discuto caso a caso quando o conservador básico não resolveu.

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Este conteúdo é informativo e educativo. Não substitui a consulta médica. Somente um médico pode indicar o diagnóstico e o tratamento adequados para o seu caso. Dr. Rodrigo Beraldo · CRM-SP 155.154 · RQE 85.453.