Capsulite Adesiva (Ombro Congelado)
Perda progressiva de amplitude de movimento associada a dor difusa no ombro, mesmo sem trauma. Tem 3 fases bem definidas e o tratamento certo depende de identificar em qual delas você está.
O que é
A capsulite adesiva — popularmente conhecida como “ombro congelado” — é uma inflamação e fibrose da cápsula articular do ombro. A cápsula se torna espessa e retraída, restringindo os movimentos e causando dor.
Ela tem 3 fases clássicas: (1) Fase dolorosa (2–9 meses) com dor intensa e perda gradual de movimento; (2) Fase de rigidez ou “congelamento” (4–12 meses) com dor menor mas rigidez importante; (3) Fase de descongelamento (5–24 meses) com recuperação lenta e progressiva.

Sintomas
- Dor difusa no ombro, muitas vezes noturna, que dificulta dormir do lado afetado
- Perda progressiva de rotação externa (colocar cinto de segurança, pentear cabelo)
- Dificuldade para levar a mão às costas (tirar carteira, fechar sutiã)
- Rigidez pior de manhã
- Ausência de trauma óbvio
Causas e fatores de risco
- Idiopática (sem causa identificada) na maioria
- Diabetes — principal fator de risco. Diabéticos têm risco de 2 a 4 vezes maior
- Distúrbios de tireoide
- Após cirurgia ou trauma no ombro (capsulite secundária)
- Sexo feminino, faixa etária 40–60 anos
- Imobilização prolongada
Diagnóstico
Diagnóstico é clínico. O achado característico é a perda de rotação externa passiva com o cotovelo colado ao corpo — se o médico não consegue rodar seu ombro externamente, é altamente sugestivo.
- Radiografia normal (serve para excluir artrose)
- Ressonância magnética pode mostrar espessamento capsular e do intervalo rotador (mas o diagnóstico é clínico)
Tratamento conservador
Mais de 90% dos casos respondem sem cirurgia. A base é:
- Analgesia + anti-inflamatórios na fase dolorosa
- Fisioterapia com ganho progressivo de amplitude — orientação por profissional experiente é essencial
- Infiltração com corticoide intra-articular — muito eficaz na fase dolorosa. Podemos publicar sobre isso em breve.
- Hidrodistensão — infiltração com volume alto para “esticar” a cápsula
- Controle rigoroso da glicemia em diabéticos
A recuperação leva de 12 a 36 meses, mas a maioria evolui bem.
Quando a cirurgia é indicada
Cirurgia é reservada para casos refratários após 6–12 meses de tratamento conservador bem feito. As opções:
- Manipulação sob anestesia — controversa, pouco usada hoje
- Capsulotomia artroscópica — liberação sob visão direta da cápsula retraída. Boa taxa de sucesso.
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora para “descongelar”?
A história natural é longa — 1 a 3 anos no total. Com tratamento bem conduzido, aceleramos essa curva e reduzimos o desconforto, mas não temos como fazer o ombro “descongelar” da noite para o dia.
Por que meu ombro congelou sem eu ter machucado?
Na maior parte dos casos não sabemos a causa exata (idiopática). Em pacientes diabéticos e com problemas de tireoide, a incidência é bem maior. Também acontece após imobilização prolongada por outra lesão.
Fisioterapia agressiva vai fazer mais rápido?
Cuidado — na fase dolorosa, fisioterapia agressiva piora o quadro. A conduta é analgesia primeiro, movimento progressivo depois. Um bom fisioterapeuta sabe reconhecer isso.
Ombro congelado pode voltar?
No mesmo ombro, é raro. No ombro contralateral, cerca de 15% dos pacientes desenvolvem quadro similar. Não é uma “sentença” para os dois ombros.
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Este conteúdo é informativo e educativo. Não substitui a consulta médica. Somente um médico pode indicar o diagnóstico e o tratamento adequados para o seu caso. Dr. Rodrigo Beraldo · CRM-SP 155.154 · RQE 85.453.
